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Mercado prevê R$ 1,50 como próximo ‘piso’ para dólar

Especialistas do mercado financeiro antecipam que a taxa de R$ 1,50 deve se tornar o próximo “piso psicológico” para o dólar, depois que a cotação da moeda americana passou a oscilar abaixo de R$ 1,55, o seu preço mínimo mais duradouro dos últimos anos.

Ontem, a taxa de câmbio doméstica recuou para R$ 1,543 (uma queda de 0,6%), após cinco dias consecutivos de perdas. Trata-se de um preço não visto desde janeiro de 1999, quando ocorreu a mudança do regime cambial do país (de “fixo” para “flutuante”).

Vários fatores contribuíram e ainda devem contribuir para o derretimento das cotações.

Desde a semana passada, alguns fatores de tensão para os mercados começaram lentamente a arrefecer.

O novo pacote europeu para resgatar a Grécia, em que pesem todas as críticas, ajudou o país mediterrâneo de uma situação de “default” (calote) iminente. Muitos analistas temiam pelo efeito contágio que uma eventual derrocada grega teria sobre as demais economias periféricas do velho continente, também às voltas com sérios problemas financeiros.

EUA

Do outro lado do Atlântico, permanece pendente o imbróglio sobre o teto da dívida americana.

Sem uma elevação do teto permitido para o endividamento do governo, a maior economia do mundo se arrisca a cair também numa situação de “default”. Mas a medida em que a data limite (2 de agosto) se aproxima, segue firme a convicção dos mercados numa solução de “último minuto” para a crise.

E no front doméstico, poucos veem motivos para os preços da moeda voltarem a subir.

Para começar, há a perspectiva de que a taxa básica de juros, já entre as maiores do planeta, continue a subir, por mais um ou dois meses.

Ontem, o boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, mostrou que os economistas de bancos e corretoras já revisaram para cima suas projeções para a inflação de 2012 (o real objetivo do BC atualmente): de 5,20% ao ano para 5,38%.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já acenou com novas medidas para conter a queda livre das cotações.

“O governo continua olhando seriamente para o câmbio e sempre estaremos propensos a tomar medidas que impedirão que haja uma valorização excessiva da moeda brasileira”, disse ele.

Mas há meses o mercado financeiro vê com descrença a eficácia das medidas oficiais.

PALIATIVO DO PALIATIVO

“O que o governo tem feito é ‘o paliativo do paliativo”, diz André Nunes, presidente do grupo Fitta (especializado no mercado de câmbio).

Para esse profissional, o mais provável é que o mercado teste taxas de câmbio cada vez menores, ‘desafiando’ a disposição da equipe econômica. E o Banco Central reforce suas compras diárias de moeda, elevando ainda mais o nível das reservas internacionais, já entre os mais altos no rol dos emergentes.

Nunes diz que o governo está num eterno “dilema da mãe”, aquela que ameaça o “filho” com punições severas, sem nunca cumprir suas promessas. “Qual é resultado? Um filho malcriado”, brinca.

“Nós vamos ter cenário muito complicado para o câmbio neste segundo semestre. E eu não consigo ver como o governo pode mudar isso”, acrescenta.

Ontem, alguns profissionais do setor financeiro destacaram declarações recentes da presidente Dilma Rousseff, pondo mais ênfase no combate à inflação do que em eventuais preocupações com a taxa de câmbio deprimida. Para essa parcela do mercado, essa atitude já sinaliza o grau de disposição do governo em interferir na formações dos preços.

FLUXO POSITIVO

“Nós estamos numa situação em que há fluxos positivos pelos dois lados. Há um fluxo positivo por conta da especulação [com divisas tomadas no exterior e aplicadas a juros mais altos no país]; e um fluxo positivo por conta das operações de captações externas [de empresas que se financiam no exterior a juros mais favoráveis]”, sintetiza Reginaldo Galhardo, diretor da corretora Treviso.

Galhardo também notou um comportamento de mercado, que reforça as expectativas de um dólar mais baixo.

“‘Eu não vi muitos importadores antecipando operações, como era habitual há algum tempo quando o dólar caia muito’, comenta. “O que eu estou vendo é justamente o contrário: exportadores correndo para o mercado assim que a taxa sobe um pouco”, acrescenta.

Fonte: Folha.com

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