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ATA DO COPOM – 157a. Reunião

157ª Reunião
Sumário
Evolução recente da economiaAvaliação prospectiva das tendências da inflaçãoImplementação da política monetáriaInflaçãoAtividade econômicaExpectativas e sondagensMercado de trabalhoCrédito e inadimplênciaAmbiente externoComércio exterior e reservas internacionaisMercado monetário e operações de mercado aberto
Data: 1º e 2/3/2011

Local: Sala de reuniões do 8º andar (1º/3) e do 20º andar (2/3) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h15 (1º/3) e 16h35 (2/3)
Horário de término: 18h45 (1º/3) e 20h10 (2/3)

Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio Tombini – Presidente
Aldo Luiz Mendes
Altamir Lopes (presente somente no dia 2)
Alvir Alberto Hoffmann (presente somente no dia 1º)
Anthero de Moraes Meirelles
Antonio Gustavo Matos do Vale (presente somente no dia 1º)
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo
Luiz Awazu Pereira da Silva
Sidnei Corrêa Marques (presente somente no dia 2)

Chefes de Departamento (presentes no dia 1º)
Adriana Soares Sales – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente no dia 2)
João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento de Operações das Reservas Internacionais
Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Rodrigo Collares Arantes – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico

Demais participantes (presentes no dia 1º)
Alexandre Pundek Rocha – Assessor da Diretoria
Eduardo José Araújo Lima – Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos e Pesquisas
Emanuel Di Stefano Bezerra Freire – Chefe de Gabinete da Diretoria
Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa
Katherine Hennings – Chefe de Gabinete da Diretoria
Nelson Ferreira Souza Sobrinho – Assessor Sênior do Departamento de Estudos e Pesquisas

Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.

Evolução recente da economia

1. Após registrar alta de 0,63% em dezembro de 2010, a inflação medida pela variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,83% em janeiro de 2011. Com isso, a inflação acumulada nos últimos doze meses alcançou 5,99%, 1,40 ponto percentual (p.p.) acima da observada no acumulado em doze meses até janeiro de 2010. O aumento da inflação nesse período refletiu, basicamente, o comportamento dos preços livres, que variaram 7,17% e contribuíram com 5,0 p.p. do total de 5,99 p.p. De fato, a variação nos preços administrados, no acumulado em doze meses até janeiro de 2011 (3,24%), foi inferior à registrada no acumulado até janeiro de 2010 (4,82%), com contribuição de apenas 1,0 p.p. para a inflação plena de 5,99%. Especificamente sobre os preços livres, cabe destacar que a variação dos preços dos bens comercializáveis alcançou 6,61%, e a dos não comercializáveis, 7,65%, no acumulado em doze meses até janeiro de 2011. A variação de preços do setor de serviços continua em patamar elevado e, no acumulado até janeiro de 2011, atingiu 7,89%. Em síntese, o conjunto de informações disponíveis sugere que a aceleração de preços observada em 2010, processo liderado pelos preços livres, pode mostrar alguma persistência, em parte porque a inflação dos serviços segue em patamar elevado.

2. A trajetória dos preços dos alimentos continua desempenhando papel relevante na aceleração recente da inflação plena. Nos últimos três meses, o IPCA registrou alta de 2,31%, ante 1,24% observados entre agosto e outubro, e 0,44% entre maio a julho de 2010. Nos mesmos períodos, alimentos e bebidas variaram 4,77%, 2,74% e -1,38%, respectivamente. Note-se, ainda, que a variação em doze meses dos preços da alimentação no domicílio passou de 2,53%, em julho de 2010, para 6,89% em outubro, e se deslocou para 10,68% em janeiro de 2011. Ao mesmo tempo, a do IPCA se posicionou em 4,60%, 5,20%, e 5,99%, respectivamente. A elevação recente nos preços dos alimentos reflete, em parte, choques de oferta, domésticos e externos, potencializados pelo ambiente de elevada liquidez nos mercados financeiros internacionais e pelo aumento da demanda global.

3. Em linha com a evolução da inflação plena, cada uma das três principais medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central registrou elevação em janeiro deste ano. O núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização deslocou-se de 0,52% em dezembro de 2010 para 0,54% em janeiro de 2011. Nos mesmos meses, o núcleo por dupla ponderação avançou de 0,71% para 0,80%, enquanto o núcleo por exclusão avançou de 0,60% para 0,76%. No acumulado em doze meses até janeiro de 2011, as três medidas de núcleo alcançaram, 5,69%, 5,83% e 5,63%, respectivamente. O índice de difusão do IPCA, que havia atingido 62,2% em dezembro, avançou para 69,3% em janeiro, evidenciando maior disseminação da aceleração de preços.

4. A inflação medida pela variação mensal do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou 0,98% em janeiro de 2011, valor superior ao observado em dezembro de 2010 (0,38%). Nos últimos doze meses, essa variação atingiu 11,27%, valor superior ao registrado no acumulado em doze meses até janeiro de 2010 (-0,45%). A inflação medida pelo seu principal componente, o Índice de Preços ao Produtor Amplo – Disponibilidade Interna (IPA-DI), alcançou 13,85% no acumulado em doze meses até janeiro de 2011 (-2,84% na mesma base de comparação), refletindo variação de 9,32% no IPA industrial e de 28,40% no IPA agrícola. Já a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IPC-DI), outro componente no IGP-DI, registrou alta de 6,21% no acumulado em doze meses até janeiro de 2011, superior aos 4,42% registrados até janeiro de 2010. Na mesma base de comparação, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP‑DI, variou 7,52%, superior aos 3,56% registrados no período anterior. Conforme destacado em Notas de reuniões anteriores, o Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre os preços ao consumidor dependerão, entre outros fatores, das condições atuais e prospectivas da demanda, da exposição de cada setor à competição externa e interna e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação.

5. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para os impostos sobre produto e, portanto, constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br apresentou crescimento positivo em todos os meses do segundo semestre de 2010, mas apresentou relativa estabilidade em dezembro de 2010 (0,1%). Na comparação com dezembro de 2009, o índice apresentou crescimento de 3,7% e, na comparação do índice médio de 2010, o crescimento foi de 7,8% em relação ao ano anterior. O Índice de Confiança de Serviços (ICS), da Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 3,0% em janeiro de 2011, ante dezembro de 2010; 1,3% quando comparado ao ICS de janeiro de 2010; e 3,3% em relação ao índice médio de 2010.

6. A atividade fabril ainda não mostrou sinais consistentes de entrada em novo ciclo de alta. A produção industrial registrou alta de 0,2% em janeiro, de acordo com a série geral dessazonalizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após registrar recuo de 0,8%, em dezembro, e de 0,1% em novembro, na comparação mensal. A produção no mês de janeiro ainda é 2,6% inferior ao recorde de produção observado em março de 2010. Já a taxa de crescimento da média móvel trimestral ficou em -0,2% no período de outubro a janeiro – mesma taxa observada no último trimestre de 2010. Na comparação com o mesmo mês do ano imediatamente anterior, a produção aumentou 2,5% em janeiro. No acumulado de doze meses, a produção industrial mostrou expansão de 9,4% em janeiro, ante 10,4% registrados em dezembro, continuando em processo de redução do ritmo de crescimento. O índice de difusão, que mede o percentual de produtos que registraram aumento de produção em relação ao mesmo mês do ano anterior, situou-se em 56% em janeiro, ante 55,4% registrados em dezembro. Na comparação com dezembro de 2008, mês de menor medição da produção industrial durante a crise de 2008/2009, o crescimento acumulado até janeiro foi de 23,1%. A dinâmica de recuperação foi amparada, parcialmente, pelo crescimento do financiamento da atividade industrial por parte de instituições financeiras públicas.

7. Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a de bens de consumo duráveis apresentou crescimento de 6% em janeiro, em relação ao mês anterior, enquanto a de bens de consumo não duráveis e semiduráveis apresentou expansão de 0,2%. No mesmo período, a produção de bens de capital cresceu 1,8%, enquanto a de bens intermediários registrou recuo de 0,4%. Considerando a média móvel trimestral para janeiro, a produção de bens de consumo duráveis registrou expansão de 1,8%, enquanto a de bens de consumo não duráveis e semiduráveis apresentou recuo de 0,2%. Pelo mesmo critério, a produção de bens de capital expandiu 1,4%, enquanto a de bens intermediários mostrou avanço de 0,1%. Vale ressaltar, no entanto, que o crescimento da atividade da indústria de bens de capital, no acumulado de doze meses, é o maior entre as categorias de uso, com expansão de 20,4%. Tal comportamento evidencia a robustez do investimento, fator relevante na retomada econômica do período pós-crise.

8. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, passou de 5,3%, em dezembro de 2010, para 6,1% em janeiro de 2011, inferior aos 7,2% registrados em janeiro de 2010. Após atingir 9,0% em março de 2009, a taxa observada não apenas recuou significativamente até janeiro, mas atingiu o mínimo histórico para esse mês na série iniciada em março de 2002. A taxa dessazonalizada registrou 6,3% em janeiro, alta de 0,1 p.p. comparativamente à de dezembro. O emprego, medido pelo número de ocupados nas regiões metropolitanas, na comparação com os mesmos meses dos anos anteriores, apresentou elevação de 2,9% em dezembro de 2010 e de 2,2% em janeiro de 2011. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam crescimento no setor formal em onze dos últimos doze meses. Em janeiro, houve criação de 152,1 mil postos de trabalho (181,4 mil em janeiro de 2010), enquanto em dezembro de 2010 houve redução de 407,5 mil postos de trabalho (ante redução de 415,2 mil em dezembro de 2009). No acumulado dos últimos doze meses até janeiro, foram criados 2,11 milhões de postos de trabalho (2,47 milhões no critério que utiliza as informações entregues com atraso pelas empresas). O setor que mais contribuiu para o aumento do número de empregos formais, em janeiro, foi o de serviços, sendo responsável por 48,1% do aumento do saldo no mês. O setor de serviços também foi o que mais contribuiu para o aumento nos últimos doze meses, com 41,7% do saldo acumulado. O rendimento médio real habitual observado em janeiro de 2011 aumentou 0,5% em relação a dezembro de 2010 e avançou 5,3% em comparação com janeiro de 2010. Como consequência, a expansão da massa salarial real, considerando o rendimento médio real habitual da população ocupada nas seis regiões metropolitanas, atingiu 7,7% em janeiro, ante o mesmo mês em 2010, e permanece como fator-chave para sustentação do crescimento da demanda doméstica, conquanto haja evidência de que seu ritmo de crescimento deva diminuir nos próximos meses.

9. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio ampliado vem crescendo desde maio de 2009, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em dezembro de 2010, o crescimento foi de 14,8%, ante 17,0% em novembro e 11,1% em outubro. Na série com ajuste sazonal, a variação mensal do volume de vendas do comércio ampliado apresentou aumento pela oitava vez consecutiva, de 2,3% em dezembro, ante 0,4% em novembro e 2,2% em outubro. Assim, a média do volume de vendas no trimestre encerrado em dezembro aumentou 4,2% em relação à do trimestre anterior, encerrado em setembro. Note-se, ainda, que, dos dez segmentos pesquisados, oito tiveram variações mensais positivas em dezembro, com destaque para os segmentos de veículos e motos, partes e peças (4,7%) e de tecidos, vestuários e calçados (3,4%). Nos próximos meses, a trajetória do comércio continuará a ser beneficiada pelas transferências governamentais, pelo crescimento da massa salarial real, por uma expansão moderada do crédito e pela confiança dos consumidores.

10. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, passou de 83,1%, em janeiro, para 83,7% em fevereiro. Esses valores situam-se próximos dos observados no mesmo período de 2010. Com o ajuste sazonal, calculado pela FGV, houve redução no valor do Nuci, que passou de 84,7% em janeiro para 84,5% em fevereiro.Duas das quatro categorias de uso registraram redução em fevereiro, relativamente a janeiro. No setor de bens intermediários, a redução foi de 0,8 p.p., ante redução de 0,2 p.p. para o nível de utilização no setor de bens de consumo. Já no setor de materiais de construção, o Nuci passou de 89,5% em janeiro para 89,9% em fevereiro, na série dessazonalizada, enquanto no setor de bens de capital houve crescimento de 84,2% para 84,8% no mesmo período. Segundo os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci de dezembro alcançou 82,8%, ante 82,7% observado em novembro. Assim, as taxas de utilização da capacidade instalada têm se mostrado relativamente estáveis, em patamares elevados. O elevado nível de ocupação reflete a expansão recente da atividade econômica, cujos efeitos não foram compensados totalmente pela maturação dos investimentos. A propósito, em 2010 a absorção de bens de capital cresceu 26,1% em relação ao ano anterior. Já a produção de insumos para a construção civil registrou elevação de 11,9%. Conforme assinalado em Notas anteriores das reuniões do Copom, a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e de serviços para o adequado atendimento da demanda.

11. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses aumentou de US$20,9 bilhões em janeiro para US$21,7 bilhões em fevereiro. Esse resultado adveio de exportações de US$ 210,4 bilhões e importações de US$ 188,7 bilhões, o que representa variações de 33,9% e 42,0%, respectivamente, em relação ao período de doze meses encerrado em fevereiro de 2010. O déficit em transações correntes acumulado em doze meses aumentou de US$47,5 bilhões em dezembro para US$ 49,1 bilhões em janeiro, equivalente a 2,35% do PIB. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$50,8 bilhões em doze meses até janeiro, equivalente a 2,43% do PIB, superando a necessidade de financiamento externo.

12. Desde a última reunião, persistiu a tendência de consolidação da recuperação da economia global, principalmente da economia americana, cuja demanda doméstica mostra algum dinamismo, em especial no consumo das famílias, apesar das continuadas incertezas relativas ao mercado de trabalho. O indicador de antecedentes divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – frequentemente utilizado para inferências sobre o comportamento futuro da produção industrial global –, por exemplo, registrou a quarta alta mensal consecutiva em dezembro. Os indicadores desagregados por países sugerem aceleração do ritmo de crescimento ou crescimento continuado em todos os países do G7, exceto a Itália. As perspectivas macroeconômicas para a Zona do Euro, em particular, mostram-se assimétricas, pois persistem dúvidas quanto à solvência de algumas economias periféricas, ao mesmo tempo em que o ritmo da expansão continua forte na Alemanha. Os núcleos das taxas de inflação ainda continuam em níveis moderados no grupo de países do G3 (Estados Unidos, Zona do Euro e Japão), a despeito das ações de política econômica de caráter fortemente expansionista, tanto no lado fiscal quanto no monetário. Já os índices de inflação plena ao consumidor variaram 1,6% nos Estados Unidos e 2,3% na Zona do Euro, no acumulado em doze meses até janeiro de 2011, devido, sobretudo, às altas nos preços de energia. Nos países emergentes, observam-se pressões inflacionárias na América Latina, na Ásia e no Leste Europeu. Desde a última reunião houve moderado aperto das condições monetárias em diversas economias – entre elas China e Índia. O banco central chinês anunciou o quinto aumento, desde novembro do ano passado, do requerimento de depósitos compulsórios por parte dos bancos.

13. O preço do barril de petróleo do tipo Brent subiu desde a última reunião do Copom e ultrapassou a marca dos US$100. Essa alta nos preços é consistente com um quadro de aparente fortalecimento da demanda global – as evidências empíricas sugerem que os preços internacionais do petróleo, nas últimas duas décadas, têm sido influenciados mais intensamente pelas condições da demanda mundial do que pelas de oferta – bem como de elevada instabilidade política em alguns países do Oriente Médio e, especialmente, do norte da África. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e da dependência do crescimento da oferta de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. O cenário central com o qual o Copom trabalha prevê preços domésticos da gasolina constantes nos níveis atuais para 2011. Em relação às demais commodities, destaca-se a continuada alta nos preços internacionais das agrícolas e metálicas. A propósito, o atual sistema de reajuste trimestral do preço do minério de ferro reforça as expectativas de elevação futura de preço. O Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que compreende 55 itens, atingiu novo recorde histórico em janeiro de 2011, acumulando alta de 28,4% em doze meses. Esse movimento foi impulsionado, entre outros fatores, pela elevação dos preços internacionais do açúcar, de cereais e de óleos vegetais. No passado recente, a alta volatilidade dos preços das commodities deve ter sido fortemente influenciada pela ampla liquidez global, em contexto no qual os mercados financeiros se ajustam às novas expectativas de crescimento da demanda e à volatilidade nos mercados de câmbio.

Avaliação prospectiva das tendências da inflação

14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses:
a) as projeções para o reajuste nos preços da gasolina e do gás de bujão, para o acumulado de 2011, foram mantidas em 0%, mesmos valores considerados na reunião do Copom de janeiro;
b) as projeções de reajuste das tarifas de telefonia fixa e de eletricidade, para o acumulado em 2011, foram mantidas em 2,9% e 2,8%, respectivamente;
c) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2011, segundo o cenário de referência, foi mantida em 4,0%, valor considerado na reunião de janeiro. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 28,90% do total do IPCA de janeiro;
d) a projeção de reajustes para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados para o acumulado de 2012, conforme o cenário de referência, reduziu-se para 4,3%, ante 4,4% considerados na reunião do Copom de janeiro. Essa projeção se baseia em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 29 p.b. e 46 p.b. para o quarto trimestre de 2011 e 2012, respectivamente.

15. Em relação à política fiscal, considera-se o cumprimento da meta de superávit primário de 3,0% do PIB, sem ajustes, em 2011 (conforme parâmetros constantes da Lei de Diretrizes Orçamentárias – 2011). Além disso, admite-se, como hipótese de trabalho, superávit primário de 3,1% em 2012.

16. No conjunto das projeções, foram incorporados os efeitos estimados das alterações dos recolhimentos compulsórios anunciadas em dezembro.

17. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2011 se deslocou de 5,42% para 5,80%. Para 2012, a mediana das projeções de inflação se deslocou de 4,50% para 4,78%.

18. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em 1,65 R$/US$ e da taxa Selic em 11,25% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2011 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro, e se encontra acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin, junto a analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2011 também se elevou e se encontra acima do valor central da meta para a inflação. Para 2012, a projeção recuou no cenário de referência, mas ainda se encontra acima do valor central da meta, e, no de mercado, apesar de haver se elevado, permanece ao redor da meta.

Implementação da política monetária

19. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.

20. A evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas. Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. De outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazo. Assim, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas neste e nos próximos anos, o que exige a pronta correção de eventuais desvios em relação à trajetória. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.

21. Como consequência da estabilização e da correção de desequilíbrios, as quais determinaram mudanças estruturais importantes, o processo de amadurecimento do regime de metas se encontra em estágio avançado, e isso se reflete favoravelmente na dinâmica da taxa de juros neutra e na potência da política monetária. Evidências a esse respeito são oferecidas, entre outros, pelo cumprimento das metas para a inflação nos últimos sete anos, ao mesmo tempo em que as taxas reais de juros recuaram. Progressos na estrutura dos mercados financeiros, redução do prêmio de risco cambial e do inflacionário, entre outros, parecem ter determinado redução significativa da taxa neutra. Também contribuiu para isso a geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Em outra perspectiva, alguns desses desenvolvimentos, combinados a outros, como o alargamento de prazo dos contratos, também sugerem que o poder da política monetária no Brasil vem aumentando ao longo dos últimos anos, não obstante a substancial incerteza que envolve o dimensionamento de variáveis não observáveis. O Comitê também pondera que há evidências de que a tração da política monetária aumentou no passado recente e, comparativamente ao que se observava há alguns anos, atualmente pressões inflacionárias são contidas com mais eficiência por meio de ações de política monetária.

22. O Copom observa que, nos mercados internacionais, a volatilidade e a aversão ao risco se elevaram desde sua última reunião, em grande parte, alimentadas por extraordinários níveis de liquidez global, apesar de terem diminuído as chances de nova rodada de ações monetárias não convencionais, e por desenvolvimentos adversos no âmbito geopolítico. Nesse contexto, mantiveram-se altas as preocupações com dívidas soberanas de países e de bancos europeus e com a possibilidade de desaceleração na China, ao mesmo tempo em que aumentou a confiança na sustentabilidade da recuperação da economia americana. Os preços de importantes commodities se elevaram, sem a contrapartida de movimentos, em sentido contrário, de ativos domésticos e, de modo geral, as perspectivas para o financiamento externo da economia brasileira seguem favoráveis. Em outra frente, a trajetória dos índices de preços mostra certa disseminação de pressões inflacionárias nas principais economias.

23. O Copom pondera que, embora esteja em curso moderação, em ritmo ainda incerto, da expansão da demanda doméstica, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica. Essa avaliação encontra suporte em sinais que, apesar de indicarem certo arrefecimento, apontam que a expansão da oferta de crédito tende a persistir, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas; e no fato de a confiança de consumidores e de empresários se encontrar em níveis historicamente elevados, a despeito de alguma acomodação na margem, entre outros fatores. O Comitê entende, adicionalmente, que o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em substancial crescimento dos salários reais, notadamente no setor público.

24. O Copom entende que o cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente desde sua última reunião. No último trimestre de 2010 e no início deste ano, a inflação foi forte e negativamente influenciada pela dinâmica dos preços de alimentos, em parte, reflexo de choques de oferta domésticos e externos. As evidências sugerem que os preços ao consumidor já incorporaram parcela substancial dos efeitos desses choques, aos quais se somaram efeitos sazonais característicos da inflação no primeiro bimestre. Também foram relevantes efeitos localizados decorrentes da concentração atípica de reajustes de preços administrados ocorrida no primeiro bimestre deste ano, embora, para o ano como um todo, o comportamento desses itens tenda a ser relativamente benigno. O Comitê pondera que esses efeitos ainda deverão impactar a dinâmica dos preços ao consumidor, entre outros mecanismos, via inércia. Ao mesmo tempo, avalia como relevantes os riscos derivados da persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda, apesar dos sinais de que esse descompasso tende a recuar. Destaca, além disso, a estreita margem de ociosidade dos fatores de produção, especialmente de mão de obra, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco importante reside na possibilidade de concessão de aumentos nominais de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade. Não menos importantes são os riscos associados à trajetória dos preços das commodities nos mercados internacionais, que, de resto, tem se apresentado envolta em grande incerteza.

25. O Copom prevê dois momentos distintos para a trajetória de inflação, segundo o cenário central para 2011. Neste trimestre e nos dois seguintes, a inflação acumulada em doze meses tende a permanecer em patamares similares ou mesmo superiores àquele em que atualmente se encontra. Isso, em parte, explica-se pela elevada inércia trazida de 2010 e pelo fato de as projeções, contrastando com o observado em 2010, apontarem taxas de inflação próximas ao padrão histórico no trimestre junho/agosto de 2011. Entretanto, a partir do quarto trimestre, o cenário central indica tendência declinante para a inflação acumulada em doze meses, ou seja, deslocando-se na direção da trajetória de metas.

26. O Copom reafirma que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto. A propósito, cabe enfatizar que, desde a última reunião do Comitê, importantes decisões foram tomadas e executadas, as quais apoiam a visão de que, no início deste ano, teve início um processo de consolidação fiscal.

27. O Copom destaca que o cenário central também contempla moderação na expansão do crédito, para a qual contribuem as ações macroprudenciais recentemente adotadas. O Comitê pondera que, embora visem primariamente a estabilidade do sistema financeiro, tais alterações regulatórias devem se manifestar, também, como elemento de contenção da demanda agregada por intermédio do canal de crédito, bem como por meio da redução de incentivos à adoção de estratégias como o simples alargamento dos prazos de contratos, entre outras. As informações disponíveis corroboram essa visão, ao evidenciarem impactos relevantes tanto nos preços praticados quanto nas quantidades de recursos transacionados no mercado de crédito. É plausível afirmar, adicionalmente, que o ambiente regulatório atual, comparativamente ao anterior, tende a potencializar os impactos de ações convencionais de política monetária.

28. Em suma, o Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual, e identifica riscos elevados à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta. Desde a última reunião, no âmbito externo, fatores de estímulo e seus reflexos sobre preços de ativos apontam menor probabilidade de reversão do processo de recuperação em que se encontram as economias do G3. Em outra perspectiva, ainda revelam influência ambígua do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica. No âmbito interno, ações macroprudencias recentemente implementadas – um instrumento rápido e potente para conter pressões localizadas de demanda –, e ações convencionais de política monetária ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços. Embora as incertezas que cercam o cenário global e, em menor escala, o doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade de pressões recentes, o Comitê avalia que o cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente.

29. Nesse contexto, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% a.a., sem viés.

30. A demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Além disso, em que pese iniciativas recentes apontarem certa contenção das despesas do setor público, impulsos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres, e ainda deverão contribuir para a expansão da atividade e, consequentemente, para que o nível de ociosidade dos fatores se mantenha em patamares baixos. Aos efeitos desses estímulos, entretanto, contrapõem-se os efeitos da reversão de iniciativas tomadas durante a recente crise financeira de 2008/2009 e, especialmente, os das recentes ações macroprudenciais e os das ações convencionais de política monetária. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito fiscal e parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.

31. Em um cenário alternativo, que leva em conta a manutenção da taxa de câmbio, no horizonte relevante, em patamares semelhantes aos observados no passado recente; e a trajetória de juros coletada pelo Gerin, a projeção de inflação se encontra acima da meta em 2011 e ligeiramente abaixo em 2012. Ao se considerar esse cenário alternativo e as perspectivas de desaceleração da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, entre outros fatores, a eventual introdução de ações macroprudenciais pode ensejar oportunidades para que a estratégia de política monetária seja reavaliada.

32. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 19 de abril de 2011, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 20.223, de 15 de outubro de 2010.

SUMÁRIO DOS DADOS ANALISADOS PELO COPOM

Inflação

33. O IPCA-15 registrou elevação de 0,97% em fevereiro, ante 0,76% em janeiro e 0,69% em dezembro, acumulando aumentos de 1,74% no ano e de 6,08% em doze meses, segundo dados do IBGE. A variação dos preços livres acelerou de 0,85% em janeiro para 1,08% em fevereiro, refletindo elevação de 1,02% para 1,97% dos preços de produtos não comercializáveis, influenciados, sobretudo, pelo aumento na taxa referente aos itens de serviços, de 0,88% para 2,34%. A variação dos preços dos bens comercializáveis recuou de 0,66% em janeiro para 0,06% em fevereiro. Os preços monitorados variaram 0,69% ante 0,53% em janeiro. O grupo educação registrou a maior contribuição para o aumento do índice no mês, 0,42 p.p., seguido por transportes, 0,19 p.p. O índice de difusão situou-se em 66,41% no mês, ante 68,23%, em janeiro. O índice de difusão, excluindo o grupo alimentação e bebidas, passou de 58,67% em janeiro para 70,22% em fevereiro.

34. Os preços livres aumentaram 7,26% no acumulado em doze meses até fevereiro, ante 7,22% em janeiro, enquanto os preços monitorados variaram 3,30% e 3,31%, respectivamente. A evolução dos preços livres repercutiu a aceleração de 7,48% para 7,86% na variação associada aos preços dos produtos não comercializáveis, sobretudo serviços, e a desaceleração de 6,87% para 6,52% em produtos comercializáveis.

35. Em relação aos núcleos de inflação, todas as medidas apresentaram taxas mais elevadas no acumulado em doze meses terminado em fevereiro, enquanto na comparação mensal, o núcleo de médias aparadas com suavização registrou desaceleração. O núcleo do IPCA-15, considerado o método de médias aparadas com suavização, registrou variação mensal de 0,45% em fevereiro, ante 0,59% em janeiro, acumulando elevação de 5,76% em doze meses até fevereiro, ante 5,72% em janeiro. O núcleo por exclusão, que exclui dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, variou 1,08% em fevereiro, ante 0,69% em janeiro, elevando-se para 5,86% em doze meses até fevereiro, ante 5,58% no mês anterior. O núcleo de dupla ponderação apresentou variação de 0,82% em fevereiro, ante 0,74% em janeiro, acumulando 6,01% em doze meses, ante 5,78% em janeiro.

36. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), de acordo com a FGV, variou 1,00% em fevereiro, após alta de 0,79% em janeiro, acumulando elevação de 1,80%, em 2011, e de 11,30%, nos últimos 12 meses. No mês, houve aceleração no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) e no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) e desaceleração nos Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M).

37. Os preços ao produtor (IPA-M) variaram 1,20% no mês ante 0,76% em janeiro, acumulando altas de 1,97% no primeiro bimestre do ano e 13,93% em doze meses. Os preços dos produtos agropecuários apresentaram aumento de 2,75% em fevereiro ante 1,27% em janeiro, acumulando 4,05% no ano e 29,68% em doze meses. Os preços dos produtos industriais tiveram elevação de 0,64% em fevereiro, ante 0,57% no mês anterior, com variações de 1,22% no ano e 9,03% nos últimos doze meses. Em relação aos produtos agropecuários, a variação de 2,75% no mês repercutiu principalmente as elevações de 18,40% e 9,84% nos preços do algodão e do milho, respectivamente, e as desacelerações nos preços de suínos, feijões e arroz.

38. Os preços ao consumidor (IPC-M) variaram 0,67% em fevereiro, acumulando altas de 1,76% no ano e 5,96% em doze meses, com desaceleração em cinco dos sete grupos pesquisados. Consideradas as contribuições para o resultado mensal, destacaram-se as taxas do grupo transportes (1,82%, no mês, ante 1,94% em janeiro, 0,22 p.p. do IPC-M), habitação (0,51% ante 0,22%, 0,15 p.p.) e educação, leitura e recreação (1,63% ante 2,75%, 0,14 p.p.). O INCC-M variou 0,39% ante 0,37% em janeiro, acumulando altas de 0,76% no primeiro bimestre do ano e 7,46% em doze meses. O resultado mensal refletiu, sobretudo, os aumentos nos preços de materiais, equipamentos e serviços, 0,65%, ante 0,42% em janeiro, e em mão de obra, 0,12% ante 0,32% no mês anterior. As variações acumuladas no ano e em doze meses atingiram, respectivamente, 1,07% e 5,60% para os preços de materiais, equipamentos e serviços, e 0,44% e 9,49% para os custos de mão de obra, na ordem.

39. O Índice de Commodities Brasil (IC-Br) cresceu em fevereiro, pelo oitavo mês consecutivo, registrando aumento de 4,7% no mês, resultado de variações de 7%, de 4,5% e de -1,3% nos segmentos agropecuária, metal e energia.

Atividade econômica

40. O IBC-Br registrou alta de 0,1% em dezembro, ante novembro, considerados dados dessazonalizados. No último trimestre de 2010, o índice cresceu 1% em relação ao terceiro trimestre, quando aumentara 0,3% no mesmo tipo de comparação. Pela série sem ajuste sazonal, o IBC-Br cresceu 3,7% no mês em relação a dezembro de 2009, acumulando elevação de 7,8% em 2010.

41. As vendas do comércio ampliado elevaram-se 2,3% em dezembro em relação a novembro, segundo dados dessazonalizados da PMC, do IBGE, contribuindo para que o resultado do quarto trimestre superasse em 4,2% o registrado para o trimestre anterior. O comércio varejista manteve-se estável no mês e apresentou crescimento de 1,5% no trimestre. Por atividade do comércio, ocorreram aumentos mensais em oito dos dez segmentos pesquisados, com destaque para os relativos a veículos e motos, partes e peças, 4,7%, tecidos, vestuário e calçados, 3,4%, e material de construção, 3,2%, em oposição aos recuos de 1% em outros artigos de uso pessoal e doméstico e 0,3% em hipermercados, supermercados e produtos alimentares.

42. As vendas do comércio ampliado, em dezembro, cresceram 14,8% em relação a igual período do ano anterior, com expansão de 12,2% em 2010. O crescimento na comparação interanual decorreu da expansão das vendas em todos os segmentos, com destaque para os relativos a livros, jornais, revistas e papelaria, 26,6%; veículos e motos, partes e peças, 25,6%; e equipamentos e materiais para escritório, 25,5%. O desempenho do comércio em 2010 também refletiu a elevação das vendas em todas as atividades consideradas, em especial nas referentes a equipamentos e materiais para escritórios, 24,1%; móveis e eletrodomésticos, 18,3%; e material de construção, 15,6%.

43. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, registraram retração mensal de 1,7% em janeiro, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central, acumulando crescimento de 4,8% no trimestre encerrado em janeiro, em relação ao finalizado em outubro. As vendas de autoveículos elevaram-se 12,3% no acumulado de doze meses, em comparação com igual período do ano anterior, com ênfase nos aumentos dos segmentos caminhões, 42,1%; comerciais leves, 26,8%; e ônibus, 25,5%.

44. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou variação negativa de 1,7% em janeiro ante dezembro. Em contraposição, os dados observados mostraram elevação interanual de 25,3% e, no acumulado em doze meses, de 43,2%.

45. A produção de bens de capital registrou crescimento de 1,8% em janeiro, acumulando alta de 2,4% no trimestre, em relação ao trimestre finalizado em outubro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. A evolução mensal refletiu, em parte, os aumentos nos segmentos destinados ao setor agrícola, 7,5%, e de uso misto, 5,5%, em oposição aos recuos na produção de equipamentos de transportes, 7%, e de equipamentos para fins industriais não seriados, 6,6%. A produção de bens de capital aumentou 9,1% na comparação com janeiro de 2010, acumulando 20,4% nos últimos doze meses.

46. A produção de insumos típicos da construção civil apresentou variação de 0,1% em janeiro e de 1,9% no trimestre encerrado no mês, em relação ao finalizado em outubro, pela série com ajuste sazonal. O segmento cresceu 6,5% em relação a janeiro de 2010, acumulando aumento de 11,5% nos últimos doze meses.

47. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) totalizaram R$168,4 bilhões em 2010, 23,5% superior ao resultado de 2009, com destaque para os acréscimos de 47,7% nos recursos direcionados ao setor agropecuário e 28,1% para o setor industrial. No ano, o setor de comércio e serviços absorveu 47,2% do total liberado, seguido pela indústria de transformação, com 45,9%, e pela agropecuária, 6%. A indústria extrativa absorveu 0,9%.

48. A produção da indústria geral aumentou 0,2% em janeiro, em relação a dezembro, de acordo com dados dessazonalizados da PIM-PF, do IBGE. Adicionalmente, a produção da indústria cresceu 2,5% em relação a janeiro de 2010, com ênfase nos aumentos de 9,1% em bens de capital e de 6,1% em bens de consumo duráveis. Considerados períodos de doze meses, registrou alta de 9,4% em relação a igual intervalo do ano anterior, ressaltando-se, nessa base de comparação, o acréscimo de 20,4% assinalado na produção de bens de capital.

49. O Nuci na indústria de transformação, calculado pela FGV, atingiu 84,5% em fevereiro, ante 84,7% em janeiro, segundo dados dessazonalizados. O recuo refletiu retrações em bens de consumo (-0,2 p.p) e, principalmente, em bens intermediários (-0,8 p.p.). Nas indústrias de bens de capital e de material de construção foram observados acréscimos de 0,6 p.p. e de 0,4 p.p., respectivamente, no mesmo período. Considerada a série observada, o Nuci atingiu 83,7% em fevereiro deste ano comparativamente aos 83,1% em igual mês de 2010. A elevação refletiu os aumentos nos indicadores das indústrias de material de construção, 3,1 p.p.; bens de capital, 2,3 p.p.; e bens intermediários, 1,4 p.p.; e do recuo de 1 p.p. em bens de consumo.

50. A produção de autoveículos atingiu 261,8 mil unidades em janeiro, recuando 2,8% em relação a dezembro, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), ajustados sazonalmente pelo Banco Central. No trimestre encerrado em janeiro registrou-se expansão de 0,3%, em relação ao trimestre finalizado em outubro. A produção do setor aumentou 6,4% relativamente a janeiro de 2010, com crescimento acumulado em doze meses de 12,9%.

51. As vendas de autoveículos pelas montadoras registraram recuo de 9,6% em janeiro, em relação ao mês anterior, e elevação de 2,1% em relação a janeiro de 2010. A evolução mensal refletiu a redução de 11,3% nas vendas para o mercado interno e a elevação de 24,2% nas exportações, enquanto o resultado interanual decorreu de variações respectivas de -0,1% e de 10,7%. No acumulado em doze meses, as vendas do setor registraram crescimento de 13,5%, com as relativas ao mercado interno e ao externo de 6,1% e de 53,9%, respectivamente.

52. Na última avaliação da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2011, realizada pelo IBGE, projetou-se produção de 146,8 milhões de toneladas, representando declínio de 1,8% em relação à safra de 2010, influenciado especialmente pela estimativa de retração de 8,8% na produção da região Sul, maior fornecedora de grãos do País. Preveem-se aumentos nas safras de caroço de algodão, 53,9%; feijão, 19%; e arroz, 13,5%; e retrações nas relativas a trigo, 18,3%; milho, 7,1%; e soja, 1,2%.

Expectativas e sondagens

53. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), considerados dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, cresceu 0,8% em fevereiro, alcançando 122,6 pontos após dois recuos mensais consecutivos. O resultado decorreu de elevações de 1,2% no Índice de Expectativas (IE) e de 0,3% no Índice da Situação Atual (ISA). O ICC aumentou 10,9% em relação a fevereiro de 2010, resultado de elevações de 17% no ISA e de 7,1% no IE.

54. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação (SCIT), da FGV, recuou 0,3% em fevereiro, atingindo 112,5 pontos. O resultado decorreu da estabilidade do ISA e da redução de 0,8% no IE. O ICC recuou 2,3% em relação a fevereiro de 2010, com retrações de 1,2% no ISA e de 3,6% no IE.

55. O Índice de Confiança de Serviços (ICS), da FGV, registrou retração mensal de 3% em janeiro, influenciada pela avaliação desfavorável em relação ao momento atual. O ISA apresentou diminuição de 12,2%, enquanto o IE elevou-se 5,6%. O ICS reduziu-se 1,3% em relação a janeiro de 2010, registrando crescimento de 2,5% no ISA e queda de 4,2% no IE.

Mercado de trabalho

56. Foram criados 152,1 mil empregos formais em janeiro, de acordo com o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) do MTE, dos quais 73,2 mil correspondem ao setor de serviços, 53,2 mil à indústria de transformação, 33,4 mil à construção civil e 8,3 mil à agropecuária, enquanto no setor de comércio registrou-se a eliminação de 18,1 mil vagas. No acumulado de doze meses, foram gerados 2.107 mil novos postos de trabalho, com ênfase nas contratações do setor de serviços, 879,5 mil; do comércio, 508,3 mil; da indústria de transformação, 469,3 mil e da construção civil, 233,2 mil.

57. A taxa de desemprego aberto atingiu 6,1% em janeiro, a menor registrada para o mês desde o início da série, de acordo com a PME do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. A taxa apresentou elevação de 0,8 p.p. em relação a dezembro e redução de 1,1 p.p. ante janeiro de 2010. Considerados dados dessazonalizados, a taxa de desemprego atingiu 6,3% em janeiro, ante 6,2% no mês anterior, resultado da diminuição de 0,1% na ocupação e da estabilidade na População Economicamente Ativa (PEA). O rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores cresceu 0,5% em relação a dezembro e 5,3% em relação a janeiro de 2010, enquanto a massa salarial registrou, nas mesmas bases de comparação, variações de -1,2% e 7,7%, respectivamente.

Crédito e inadimplência

58. O saldo dos empréstimos do sistema financeiro totalizou R$1.714,5 bilhões em janeiro, correspondendo a 46,5% do PIB, com variações de 0,5% no mês e 20,3% em doze meses. A carteira de recursos livres registrou aumentos, na ordem, de 0,3% e 17,1%, nas mesmas bases de comparação, resultado de variações respectivas de 1% e 19,1% no saldo das operações com pessoas físicas e de -0,3% e 15,1% no relativo a operações com pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados expandiram-se 0,9% no mês e 27% em doze meses, com destaque para os acréscimos respectivos de 2,5% e 50,2% observados nos financiamentos habitacionais e de 0,8% e 40,9% nos repasses do BNDES.

59. A taxa média anual de juros incidente sobre as operações de crédito referencial aumentou 2,4 p.p. em janeiro, para 37,4%. As taxas relativas aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas atingiram, na ordem, 43,8% e 29,3%, registrando elevações respectivas de 3,2 p.p. e de 1,4 p.p.

60. O prazo médio das operações de crédito referencial recuou de 476 dias, em dezembro, para 474 dias, em janeiro, observando-se diminuições respectivas de três e de quatro dias nos prazos relativos aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, que atingiram, na ordem, 559 dias e 395 dias.

61. A taxa de inadimplência das operações de crédito referencial, correspondente a atrasos superiores a noventa dias, aumentou 0,1 p.p., alcançando 4,6% em janeiro. A taxa relativa às operações com pessoas físicas manteve-se em 5,7%, e a referente ao segmento de pessoas jurídicas cresceu 0,1 p.p., para 3,6%.

Ambiente externo

62. A atividade econômica mostrou aceleração pelo segundo trimestre consecutivo nos Estados Unidos, registrando elevação trimestral anualizada de 2,8% no quarto trimestre de 2010, ante 2,6% no período anterior. O resultado refletiu, entre outros, o crescimento no consumo das famílias e a contração das importações. O mercado de trabalho segue em recuperação nos Estados Unidos. A renda pessoal disponível cresceu, em janeiro, pelo quarto mês consecutivo. Na Zona do Euro, o rigor do inverno contribuiu para que o aumento do PIB registrasse leve desaceleração, para 1,2%, de 1,4%; enquanto no Japão, o PIB do último trimestre de 2010 contraiu-se 1,1%. No mesmo período, a taxa de crescimento interanual do PIB da China voltou a acelerar-se para 9,8%, ante 9,6% no trimestre anterior. Ressalte-se que indicadores mais recentes de sentimento do consumidor, das empresas e da atividade manufatureira sinalizaram aceleração da atividade econômica no início desse ano nas economias do G3. O índice de gerentes de compra (PMI) para a atividade manufatureira global reportou o nono avanço consecutivo em janeiro, sinalizando crescimento em seu ritmo de expansão. O índice de fevereiro, específico para a Zona do Euro, atingiu o valor mais alto desde junho de 2000. Embora os dados mais recentes apontem para retomada da atividade econômica nas principais economias, é importante ressaltar que esse cenário favorável é dependente dos desenvolvimentos da crise no norte da África e no Oriente Médio.

63. Os preços internacionais das commodities voltaram a avançar desde a última reunião do Comitê, embora com aumento da volatilidade nas últimas semanas, fruto das tensões geopolíticas. O desempenho dos preços das commodities agrícolas segue bastante influenciado pela deterioração das condições de oferta em diversas regiões; pela elevação do consumo, sobretudo nos mercados emergentes; e pelos baixos níveis dos estoques globais relativamente ao consumo. O petróleo apresentou expressiva elevação refletindo, por um lado, incertezas quanto a possível choque de oferta resultante das tensões geopolíticas e, por outro, o impacto sobre a demanda resultante de perspectivas favoráveis para a atividade econômica. Nos mercados financeiros, apesar da recente elevação da volatilidade, as perspectivas de crescimento para as economias desenvolvidas têm se traduzido em resultados mais favoráveis para o mercado acionário desse grupo de países, em comparação com os de economias emergentes.

64. Em janeiro, a variação anual do IPC aumentou nos Estados Unidos, na Zona do Euro, no Reino Unido e na China, entre outros, alcançando, na ordem, 1,6%, 2,3%, 4,0% e 4,9% ante 1,5%, 2,2%, 3,7% e 4,6% em dezembro. Enquanto nos Estados Unidos o item energia registrou aumento anual de 7,3% em janeiro, na China, a inflação nos preços dos alimentos, 10,3%, foi a principal responsável pela elevação do IPC. A despeito das altas recentes nos índices de inflação, as pressões inflacionárias seguem contidas nas principais economias maduras, com exceção do Reino Unido, quando consideradas as medidas de núcleo, cujas variações anuais registraram, em janeiro, 1,0%, 1,1% e 3,0%, respectivamente, nos Estados Unidos, Zona do Euro e Reino Unido. Entre as economias emergentes, além da China, o avanço nos preços dos alimentos tem contribuído para a elevação das pressões inflacionárias. Em janeiro, a variação anual do IPC avançou para 9,6% na Rússia e para 7% na Indonésia.

65. Em contexto de pressões inflacionárias contidas, os bancos centrais dos Estados Unidos e da Zona do Euro mantiveram o caráter acomodatício de suas políticas monetárias, mantendo as respectivas taxas básicas de juro, decisão acompanhada pelo banco central do Reino Unido. Em sentido oposto, desde a última reunião do Copom, bancos centrais de diversos países emergentes elevaram as respectivas taxas básicas de juros entre os quais Chile, China, Coreia, Rússia e Tailândia. Em fevereiro, o Banco do Povo da China (PBOC) anunciou nova elevação na taxa de recolhimento dos depósitos compulsórios, a segunda no ano.

Comércio exterior e reservas internacionais

66. A balança comercial brasileira registrou, em fevereiro, superávit de US$1,2 bilhão. As exportações atingiram US$16,7 bilhões e as importações, US$15,5 bilhões. Com esse resultado, o superávit comercial no primeiro bimestre de 2011 alcançou US$1,6 bilhão, 615,9% superior ao registrado em 2010, pelo critério de média diária, refletindo expansões de 26% nas exportações e de 20,7% nas importações. A corrente de comércio cresceu 23,3% no ano, totalizando US$62,3 bilhões em 2011, comparativamente a US$46,8 bilhões registrados no primeiro bimestre em 2010.

67. As reservas internacionais atingiram US$307,5 bilhões em fevereiro, com elevação de US$9,8 bilhões em relação ao estoque de janeiro. As compras líquidas do Banco Central no mercado a vista de câmbio, até 25 de fevereiro, totalizaram US$8,1 bilhões no mês.

Mercado monetário e operações de mercado aberto

68. No período posterior à reunião do Copom de janeiro, a curva de juros doméstica reduziu sua inclinação, com elevação das taxas de curto prazo e relativa estabilidade das taxas de prazos superiores a um ano. Na parte curta, foram determinantes para esse movimento a piora das expectativas de inflação e a divulgação de índices de inflação corrente e de dados de coletas de preços ainda elevados. Entre 17 de janeiro e 28 de fevereiro, as taxas de juros de um, de três e de seis meses elevaram-se em 0,52 p.p., 0,44 p.p. e 0,36 p.p., respectivamente. A taxa para o prazo de um ano subiu 0,19 p.p., enquanto as taxas para os prazos de dois e de três anos cederam 0,02 p.p. cada. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 6,61%, em 17 de janeiro, para 6,90%, em 28 de fevereiro.

69. Entre 18 de janeiro e 28 de fevereiro, o Banco Central realizou nove leilões de swap cambial reverso, nos quais assumiu posição ativa em variação cambial e passiva em taxa de juros doméstica. Essas operações totalizaram o equivalente a US$8,5 bilhões em valor nocional.

70. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 18 de janeiro a 28 de fevereiro, operações compromissadas com prazo de seis meses, tomando recursos no valor total de R$39,0 bilhões. Com isso, o saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo alcançou R$148,5 bilhões. No mesmo período, realizou operações compromissadas com prazos entre treze e trinta dias úteis, elevando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$129,9 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, em 31 oportunidades como tomador de recursos por meio de operações compromissadas de curtíssimo prazo e realizou operações de nivelamento, ao final do dia, com prazos de dois dias úteis. As operações de curtíssimo prazo, incluídas as de nivelamento, tiveram saldo diário médio tomador de R$95,4 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central subiu de R$358,5 bilhões, entre 7 de dezembro de 2010 e 17 de janeiro de 2011, para R$387,1 bilhões, entre 18 de janeiro e 28 de fevereiro. Considerando-se o período mais recente, houve redução do saldo dos compromissos de recompra em R$37,2 bilhões, passando o estoque total de R$396,7 bilhões, em 17 de janeiro, para R$359,5 bilhões, em 28 de fevereiro. Os principais fatores condicionantes para a retração da liquidez no período foram as receitas líquidas da União e a emissão líquida de títulos pelo Tesouro Nacional.

71. Entre 18 de janeiro e 28 de fevereiro, as emissões de títulos pelo Tesouro Nacional, referentes aos leilões tradicionais, somaram R$45,4 bilhões. A venda de títulos com remuneração prefixada alcançou R$27,9 bilhões, sendo R$24,0 bilhões em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimentos em 2011, 2012, 2013 e 2015 e R$3,9 bilhões em Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) com vencimentos em 2017 e 2021. As vendas de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) totalizaram R$9,6 bilhões, com emissão de títulos com vencimentos em 2015 e em 2017. Nos leilões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), foram vendidos títulos com vencimentos em 2014, 2016, 2020, 2030, 2040 e 2050, em montante total de R$7,9 bilhões.

Fonte: Bacen

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